Monthly Archives: Abril 2013

No Escurinho do Cinema: His Girl Friday (1940)

Classificação: 9/10

Nomeações (1940): 0 (mas deviam ter sido pelo menos quatro)

Quando falamos de filmes que não tiveram o reconhecimento devido na altura em que foram lançados, pelo menos no que a prémios diz respeito, a rocambolesca comédia passada no mundo do jornalismo “His Girl Friday” terá de estar no topo de qualquer lista. Este clássico de Howard Hawks, hoje considerado uma das melhores comédias de sempre, não recebeu qualquer nomeação para os Óscares. Pelas minhas contas, ficou em falta, no mínimo, o reconhecimento como Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor Principal (para o sempre charmoso Cary Grant) e Melhor Actriz Principal (para a inesquecível Rosalind Russell). Mas, independentemente da aclamação que teve ou não, o importante é o filme que fica. Neste caso, uma das divertidas comédias alguma vez realizadas e uma velocidade nos diálogos que faria até Aaron Sorkin perder o fôlego.

 

Pedro Quedas

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Abril 23, 2013 · 2:57 pm

No Escurinho do Cinema: When Harry Met Sally (1989)

Classificação: 10/10

Nomeações (1989): 1 (Melhor Argumento Original)

O filme que criou o modelo para a comédia romântica moderna é, ainda hoje, o mais perfeito exemplo da sua execução. A receita é simples (ainda que raramente repetida como deve ser): um duo de protagonistas carismáticos e com química nas cenas que partilham, bons diálogos e um equilíbrio adequado entre o humor e o romance. “When Harry Met Sally”, de Rob Reiner, usa os talentos de Billy Crystal e Meg Ryan de forma sublime para, em conjunto com o argumento nomeado para um Óscar de Nora Ephron, criar a mais brilhante comédia romântica de sempre e aproveitar para tecer alguns dos mais hilariantes mas verdadeiros comentários sobre a realidade das relações entre homens e mulheres. Bem, isso e como deixar a impressão certa junto dos outros clientes sentados ao nosso lado num café.

 

Pedro Quedas

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Abril 18, 2013 · 5:43 pm

As noites de Travis Bickle: “Taxi Driver”

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Classificação: 10/10

Nomeações (1977): 4 (Melhor Filme, Melhor Actor Principal, Melhor Actriz Secundária, Melhor Banda Sonora Original)

 

Alguns dos melhores filmes da História do Cinema são os que têm a coragem de atacar os temas mais ambiciosos, de retratar momentos históricos na evolução da Humanidade ou abordar as complexidades da essência do comportamento humano. Outros, como “Taxi Driver”, de Martin Scorcese, não são mais que o mais intenso e perfeito retrato de uma mente perturbada. Este filme é nada menos que uma obra-prima.

Em reposição nas salas de cinema para todos os que não queiram perder a oportunidade de ver (ou rever) um clássico do cinema moderno, “Taxi Driver” acompanha o dia-a-dia (ou, mais especificamente, as noites) de Travis Bickle, um veterano da Guerra do Vietnam que procura um emprego como taxista porque não consegue dormir à noite. Este é apenas um dos primeiros prenúncios de que algo não estará totalmente bem na mente deste homem.

Tanto é o génio colocado na tela deste prodigioso filme que quase parece injusto destacar o trabalho de um em desprimor de outro, mas qualquer elogio a esta obra tem de começar e acabar na titânica interpretação de Robert DeNiro, que devia, sem dúvida, ter levado para casa o Óscar de Melhor Actor de 1977 – ou de sempre, se tal prémio existisse.

Uma grande quantidade de actores teria abordado a inépcia social de Bickle com uma torrente de tiques afectados e uma tendência para a reclusão social, mas esse não é o caso com DeNiro. O lendário actor mostra-nos aqui um homem que não se esconde por trás das suas inseguranças mas antes projecta a sua confiança, como a manifestação psicológica de um inchar de peito arrogante.

Travis Bickle fala de forma desafiadora e confiante de como quer limpar as ruas de Nova Iorque da sujidade e da escumalha que as infectam cada vez mais a cada dia que passa. Mas será que o que ele diz, indicativo que é da deterioração mental que o afecta com maior intensidade a cada noite sem sono que se acumula, será assim tão genuíno? Ou serão antes os devaneios poéticos de um homem que não quer mais que causar impacto no mundo? Seja pela procura do amor com a mulher da sua vida, pelo assumir do papel de cavaleiro andante para uma jovem prostituta (Jodie Foster, também ela nomeada para um Óscar) ou pelos mais abjectos actos de violência extrema. Travis Bickle recusa-se a ficar num canto. O mundo vai reconhecer a sua existência, a bem ou a mal.

Esta caminhada lenta mas inevitável para os limites da loucura é pontuada no filme com a incessante e inesquecível de Bernard Herrmann, um aliado valioso de Martin Scorcese neste retrato humano que consegue ser frio sem ser distante, ser complexo sem nunca se tornar pretensioso. “Taxi Driver” é arte como ela devia ser sempre feita. Com elegância e ambiguidade mas nunca se esquecendo do espectador, nunca voltada para o seu próprio umbigo. É um soco no estômago com momentos da mais gráfica violência mas nunca é gratuito. É o talento de Martin Scorcese na sua máxima força, a transbordar por todos os poros de cada segundo da sua duração. É uma obra-prima.

 

Pedro Quedas

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Filed under Críticas

Orgulho e preconceito: Top 5 – Filmes de Desporto nomeados para os Óscares

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Com a Liga dos Campeões a aquecer, a NBA a preparar-se para os seus playoffs, a NCAA a terminar os últimos preparativos para a Final Four, o desporto está na ordem do dia. Assim, o “Na Rota dos Óscares” achou por bem fazer uma pequena retrospectiva sobre o crédito que a Academia tem dado aos filmes de desporto.

Não tão aclamados como um bom drama histórico, não tão ignorados como um filme de acção, os filmes de desporto vivem eternamente numa espécie de limbo de reconhecimento crítico. Com um rol quase interminável de filmes baseados numa pessoa ou momento marcante da História do Desporto, filmes dedicados à honra e ao orgulho da competição (e ao impacto da obsessão pela vitória), apenas por três vezes uma destas obras conquistou o galardão de Melhor Filme – e sempre pelo mesmo desporto:

 

5 – Moneyball (2011): Tem diálogos de Sorkin. Tem Brad Pitt numa belíssima interpretação e Jonah Hill numa melhor ainda. Tem um tema fascinante e complexo. Tem diálogos do Sorkin (esta razão é tão importante que tem de ser repetida). Por todas estas razões, “Moneyball”, nomeado para seis Óscares, incluindo o de Melhor Filme,  é um excelente ponto de partida para esta nossa viagem.

 

4 – The Karate Kid (1984): A todos os que estejam a pensar acusar-me de fazer uma escolha “nostálgica”, só vos tenho a dizer que… sim, talvez seja um pouco, mas não tanto como se possa pensar. Para além da memorável performance (nomeada para um Óscar) de Pat Morita como Mr. Miyagi, “The Karate Kid” é uma comovente história de um rapaz perdido a encontrar o seu rumo na vida através do desporto.

 

3 – Million Dollar Baby (2004): O primeiro de uma tendência da Academia para, quando decide dar o seu galardão principal a filmes sobre desporto, premiar histórias passadas no mundo do boxe, este belíssimo (ainda que deprimente) filme de Clint Eastwood usa uma brilhante interpretação de Hilary Swank não só para retratar o amor pela competição mas também as impossíveis decisões da eutanásia.

 

2 – Rocky (1976): Com o crescente excesso melodramático e fulgor patriótico das suas sequelas, é fácil esquecer o quão bom o primeiro “Rocky” era. Sim, é bastante discutível se deveria ter ganho o Óscar de Melhor Filme num ano tão recheado, mas este conto de superação individual e triunfo do espírito humano que Sylvester Stallone nos trouxe continua tão épico hoje como há 36 anos atrás.

 

1 – Raging Bull (1980): Sim, consigo perceber as hesitações de quem não considera que este filme necessariamente um “filme de desporto”. Mas qualquer bom filme é sempre sobre mais que o género em que se inclui. Expande-o, transcende-o. É isso que o genial Martin Scorcese faz com este ‘biopic’ da tragicamente conturbada vida do ‘boxeur’ Jake LaMotta, ancorada na inesquecível performance de Robert De Niro.

 

Pedro Quedas

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