Monthly Archives: Maio 2013

A Quimera do 3D: Estará para breve um Melhor Filme a três dimensões?

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Ao longo dos anos, o cinema a três dimensões tem sido tudo menos uma opção artística credível no mundo do cinema, sendo visto acima de tudo como um truque barato e pouco realista, mais adequado a filmes de série B sobre monstros que saem de lagoas e destroem cidades inteiras.

Foi então que, no Natal de 2009, surgiu James Cameron com o seu “Avatar”, filme que, com receitas de mais de 1960 milhões de euros a nível mundial, quebrou todos os recordes de bilheteira existentes e lançou os estúdios norte-americanos num frenesim para tentar facturar com esta (não nova mas antes ressuscitada) moda.

A questão é muito simples: a indústria está desesperada. Por mais anúncios que lancem a criticar ferozmente a pirataria online, está cada vez mais difícil convencer o público a pagar entre cinco a seis euros por algo que é tão fácil, ainda que ilegal, conseguir de graça.

Mesmo o argumento de que a experiência de visionamento não é a mesma está a começar a perder força face à evolução tecnológica que se tem registado nos sistemas de ‘home video’. Televisões de plasma em alta definição que chegam a cobrir paredes inteiras, em conjunto com colunas que se podem espalhar pelos cantos de uma sala, levam a que seja possível replicar, pelo menos aproximadamente, as condições de uma sala de cinema. E não é preciso pagar por cada vez que se tira um DVD da sua caixa. Continua a não ser exatamente o mesmo, mas é complicado colocar um preço na “magia do cinema”.

Assim, era a opinião generalizada que o recorde de bilheteira estabelecido por “Titanic” (1295 milhões de euros a nível mundial), também de James Cameron, nunca seria quebrado. O sucesso desse filme viveu muito dos visionamentos repetidos. Era comum ver jovens adolescentes a dirigirem-se ao cinema para ver o romance de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet pela quinta, sexta, décima vez, algo que simplesmente não acontece hoje em dia, quando só temos de esperar uns meses até termos a nossa cópia pessoal do filme em DVD.

É por isso que esta ascensão do 3D é tão atrativa para os grandes estúdios, que veem nesta tecnologia uma forma de “obrigar” o consumidor a pagar bilhete (ainda mais caro) para poder apreciar a experiência na sua totalidade. No entanto, o sucesso desta aposta não tem sido uniforme, com a maioria dos filmes em 3D lançados a seguir a “Avatar” a não chegarem sequer perto do seu sucesso.

A razão para esta disparidade poderá dever-se à própria qualidade da tecnologia. A verdade é que, se “Avatar” foi um filme em que a tecnologia foi desenvolvida de raiz e fez parte integral do processo criativo, são muitos os casos de filmes que foram filmados de forma convencional e nos quais o efeito tridimensional foi apenas acrescentado em pós-produção, o que se traduz numa experiência de imersão que deixa muito a desejar.

Claro que do que falamos aqui quando dizemos “sucesso”, referimo-nos ao sucesso na criação de uma boa experiência artística, um bom filme. A nível económico, a aposta no 3D foi claramente ganha, com a grande maioria dos blockbusters a serem lançados a três dimensões e uma considerável percentagem destes a arrecadarem uma quantidade obscena de dinheiro – em grande parte por essa mesma razão.

A verdade é que, com uma maior ou menor variação na sua qualidade, a tecnologia 3D parece estar (a médio prazo, pelo menos) para ficar. E uma forma simples de verificar isto é o facto de já não estar necessariamente só associada a “filmes de Verão”, exclusivamente criados para fazer dinheiro. Desde o sucesso (relativamente inesperado, pela sua absurda dimensão) de “Avatar”, houve sempre um filme em 3D entre os nomeados para o Óscar de Melhor Filme – “Toy Story 3” (2010), “Hugo” (2011) e “Life of Pi” (2012). Estará para breve um vencedor a três dimensões?

 

Pedro Quedas

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A transcendência do real: Top 5 – Biopics destacados pela Academia

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Nunca compreendi as pessoas que pura e simplesmente descartam filmes de fantasia ou de ficção científica por serem irrealistas. Não percebo o instinto para confinarmos a expressão artística aos limites da realidade quando a beleza da arte surge tantas vezes no poder de podermos transcender esses mesmos limites.

Dito isso, muitos dos melhores filmes na História do Cinema surgiram do desejo de dar expressão a histórias da vida real, a momentos em que o ser humano se elevou ao ponto de causar impactos na nossa vida que perduram para sempre. Esta lista pretende homenagear essas histórias:

 

5 – The Social Network (2010): Este filme, escrito e realizado brilhantemente por Aaron Sorkin e David Fincher, respectivamente, é sobre muito mais que uma rede social. É uma história de ambição e aspiração ao topo, sobre uso da glória pessoal para disfarçar os nossos problemas pessoais. É um clássico da era moderna e devia ter ganho o Óscar de Melhor Filme em vez do bom mas limitado “The King’s Speech”.

 

4 – My Left Foot (1989): Grandes interpretações são um tema recorrente na maioria dos filmes que retratam uma vida real e esta belíssima obra de Jim Sheridan é tudo menos uma exceção. Daniel Day-Lewis dá uma performance de antologia como Christy Brown, um pintor e escritor irlandês que nasceu com paralisia cerebral e teve de aprender a exprimir-se com o único membro que conseguia controlar: o seu pé esquerdo.

 

3 – Raging Bull (1980): O clássico de Martin Scorcese volta a marcar presença nestas listas, depois de ter encabeçado a lista dos melhores filmes de desporto. Na verdade, esta até é uma lista mais adequada para este retrato duro mas justo da vida de Jake LaMotta que, mais ainda que com os seus adversários no ringue de boxe, teve de lutar com uma miríade de problemas emocionais que descarrilaram a sua vida.

 

2 – Mar Adentro (2004): Esta obra-prima de Alejandro Amenábar acompanha a luta de Ramon Sampedro, um homem galego que ficou tetraplégico e se tornou um ícone na luta pela legalização da eutanásia, depois de 30 anos a lutar pelo direito a terminar a sua própria vida. Javier Bardem é genial como de costume, num filme que ganhou o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro e, ainda assim, merecia mais reconhecimento.

 

1 – Schindler’s List (1993): Que mais há a dizer sobre este filme para além de “brilhante”? Um dos mais inspirados filmes na já de si recheada carreira de Steven Spielberg, “Schindler’s List” mostrou ao mundo os talentos de Liam Neeson e Ralph Fiennes, lembrou ao mundo os horrores do Holocausto e fez o mundo chorar com a inexorável tristeza do tormento do povo judaico durante a Segunda Guerra Mundial.

 

Pedro Quedas

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