Monthly Archives: Junho 2013

O palco é meu: Top 5 – Interpretações secundárias memoráveis

Image

“Não existem papéis pequenos, apenas atores pequenos”. Quem o disse foi Constantin Stanislavski, criador do Método, e uma breve olhadela pelo rico historial de interpretações secundárias nomeadas para um Óscar permite-nos ver isso mesmo. Certos filmes são abençoados por papéis “pequenos” tão memoráveis que acabam por ficar mais firmemente entrincheirados nas nossas memórias que os próprios desempenhos dos protagonistas. Esta lista foi criada para homenagear esses momentos mágicos em que os holofotes não se limitam a ficar presos às estrelas:

 

5 – Kevin Spacey, The Usual Suspects (1995): Num filme cheio de surpresas e reviravoltas inesperadas, um raio de luz brilha por entre toda a complexidade desta teia de meias-verdades – Verbal Kint, interpretado de forma brilhante por Kevin Spacey, que usou este papel “secundário” para cimentar o seu lugar no topo da hierarquia de Hollywood. E quem poderá alguma vez esquecer uma das mais memoráveis cenas finais da História do Cinema?

 

4 – Kate Hudson, Almost Famous (2000): Este inesquecível filme de Cameron Crowe conseguiu traduzir a magia do mundo da música na mais pura magia do cinema. E com tudo o que o filme faz bem (e estamos a falar aqui de basicamente tudo), pouco ou nada resultaria se o casting não tivesse sido perfeito. Kate Hudson, no papel da etérea Penny Lane, tem aqui aquele tipo de aura que nos faz não reparar em absolutamente mais nada sempre que está à frente da câmara.

 

3 – Javier Bardem, No Country for Old Men (2007): Com a sua arma invulgar e um cabelo ridículo, Anton Chigurh tornou-se imediatamente um ícone moderno, uma representação perfeita do mais profundo terror que nos percorre as veias. E porquê? Porque a personagem de Javier Bardem não age por vingança ou por nenhuma representação abstracta de pura maldade. Chigurh não se prende pela ordem natural das coisas. É um agente do Caos, do Acaso. Um pouco como alguém que vai aparecer mais abaixo nesta lista.

 

2 – Christoph Waltz, Inglorious Basterds (2009) & Django Unchained (2011): É impossível escolher entre uma destas duas interpretações. Do mesmo modo que é impossível separar a genialidade interpretativa de Christoph Waltz da genialidade criativa de Quentin Tarantino. Tanto como o cruel coronel nazi Hans Landa como no papel do caçador de prémios Dr. King Schultz, Waltz é o porta-voz ideal da oratória “tarantinesca”.

 

1 – Heath Ledger, The Dark Knight (2008): O outro “agente do Caos” nesta lista, o Joker sempre foi uma personagem fascinante e imprevisível – tanto na banda desenhada de onde nasceu como nas suas primeiras iterações cinematográficas. Mas nunca esse desdém pela ordem se tornou tão palpável e assustador como nas mãos de Heath Ledger que, num dos últimos papéis antes da sua trágica morte, se “limitou” a deixar uma marca eterna na memória colectiva da Sétima Arte.

 

Pedro Quedas

Anúncios

Deixe um comentário

Filed under Top 5

Do pequeno ao grande ecrã: Top 5 – Grandes séries que geraram grandes filmes

Image

Um debate que se tem vindo a ter com cada vez maior frequência no mundo do entretenimento prende-se sobre o facto de a oferta televisiva estar a aumentar de tal modo de qualidade que as melhores séries televisivas já suplantam o melhor que a Sétima Arte tem para oferecer. Apoiados por uma crescente liberdade artística e com a vantagem de ter mais tempo para fazer crescer as suas personagens, os criadores de televisão têm atraído muito do melhor talento de Hollywood para o (apenas literalmente) pequeno ecrã.

Inspirado nessa mudança de paradigma, decidi esta semana fazer uma pequena retrospectiva dos momentos em que estes dois mundos colidiram e geraram um produto de grande qualidade (algo que é infelizmente raro nestas adaptações). O Top 5 desta semana debruça-se sobre as melhores adaptações de séries televisivas a obras de cinema:

 

5 – The Fugitive (1993): Quando, em 1967, a saga fugidia do falsamente acusado Dr. Richard Kimble chegou ao fim, 72% das casas norte-americanas estavam coladas ao ecrã – um recorde que ainda hoje se mantém. 26 anos depois, Harrison Ford voltou a encarnar o “fugitivo”, num belíssimo ‘thriller’, nomeado para sete Óscares, que não só nos trouxe grandes cenas de ação mas também uma interpretação inspirada de Tommy Lee Jones, que levou para casa o Óscar de Melhor Ator Secundário.

 

4 – Maverick (1994): Realizado por Richard Donner, “Maverick” é uma comédia que transpira boa disposição por todos os seus poros – e uma boa dose de póquer também. Adaptada da série protagonizada por James Garner (que regressa neste filme no papel de um agente de lei que poderá ter os seus próprios segredos), esta obra leve e despretensiosa apoia-se acima de tudo no carisma interminável do par romântico formado por Mel Gibson e Jodie Foster e as suas traiçoeiras e rocambolescas aventuras.

 

3 – Serenity (2005): Venerada por um grupo de fãs leais e ignorada por quase todos os outros espectadores, “Firefly” foi uma série de ficção científica, criada pela sempre fascinante mente de Joss Whedon, que, infelizmente, viu a sua passagem televisiva cancelada demasiado cedo. Incapaz de deixar a sua história por terminar, Whedon juntou todo o elenco de novo, encabeçado pelo grande Nathan Fillion e levou aos grandes ecrãs uma aventura quase perfeita, com doses quase exageradamente ricas de excitação, suspense e humor.

 

2 – South Park: Bigger, Longer & Uncut (1999): O que mais há a dizer sobre “South Park”? Que só uma lista dos assuntos mais tabus que a tresloucada série de animação de Trey Parker e Matt Stone já abordou seria assunto para um blogue inteiro? Ou talvez que este filme consegue juntar o mesmo humor subversivo com alguns dos melhores momentos musicais do cinema moderno? E se eu vos disser que “Blame Canada” foi nomeada para um Óscar de Melhor Canção Original e o mereceu totalmente? Talvez seja mais simples dizer que esta é uma das mais divertidas comédias de sempre.

 

1 – Life of Brian (1979): Tecnicamente, podemos considerar algo abusivo considerar este filme uma “adaptação” de uma série para o grande ecrã. Por outro lado, é quase impossível confinar o trabalho dos geniais Monty Python a um qualquer rótulo singular. Digo antes que “Life of Brian” é uma perfeita transposição do brilhante humor do lendário grupo de comediantes ingleses do detalhe televisivo ao panorama cinemático. A história de Brian, eternamente confundido com um messias (vicissitudes de se nascer na manjedoura ao lado da de Jesus), é uma épica sátira religiosa que nos deixa sempre com vontade de olhar para o lado mais positivo da vida.

 

Pedro Quedas

Deixe um comentário

Filed under Top 5