Monthly Archives: Agosto 2013

Utopias, distopias e tiros no pé: “Elysium”

ElysiumClassificação: 6/10

Nomeações possíveis: 3 (Melhor Mistura de Som, Melhor Montagem de Som, Melhores Efeitos Visuais)

 

Dizer que Neill Blomkamp teve uma estreia de sonho é mal sequer raspar a superfície da dimensão do que conseguiu. Com um relativamente modesto orçamento de 30 milhões de dólares e um elenco de desconhecidos, o realizador sul-africano conseguiu, com o clássico instantâneo de ficção científica “District 9”, alcançar receitas mundiais de mais de 210 milhões, juntando também ao apoio do público os elogios da crítica. Esta avalanche de polegares levantados veio-se a consolidar em quatro nomeações aos Óscares, com especial destaque para a distinção em Melhor Argumento Original e, acima de tudo, Melhor Filme.

Com este tipo de sucesso na sua primeira longa-metragem, as expectativas não podiam estar mais elevadas para o seu segundo filme, “Elysium”, que prometia a mesma fusão entre tecnologia avançada e conflitos sociais de “District 9” mas com um orçamento e uma ambição infinitamente maiores. Seria de esperar, portanto, que o filme ficasse sempre um pouco aquém das elevações titânicas que lhe repousavam sobre as costas. Ainda assim, o sentimento à saída da sala de cinema é de uma inegável desilusão.

Não tenhamos rodeios. O que é bom em “Elysium” é mesmo muito bom. Mais ainda que a perfeição técnica e ambição estética dos seus efeitos especiais, o toque de Midas de Blomkamp volta a revelar-se no detalhe e deleite com que o sul-africano se entrega à construção dos mundos onde vai situar as suas histórias. Desde a utópica estação espacial Elysium, para onde foram recolocados os cidadãos mais ricos da Terra, na sequência da sua imparável sobre-população no século XXII, à distopia arquitectónica e social das favelas poeirentas para onde os 99% foram rejeitados, o filme está povoado de grandes panorâmicas e pequenos detalhes, de mundos que não temos quaisquer dúvidas que são (ou podem ser) reais.

Outro grande ponto forte do filme é a interpretação central de Matt Damon, no papel de um ex-prisioneiro que se vê atirado para o meio de um conflito que o leva a procurar desesperadamente por um qualquer meio de chegar ao inalcançável paraíso espacial. Damon é duro mas nunca frio, um herói pouco dado a heroísmos, uma figura simultaneamente estoica e raivosa – Damon é tão bom como já não consegue deixar de ser. Infelizmente, o seu desempenho estelar é rodeado por uma galeria interminável de vilões canastrões, heróis sem carisma e Jodie Foster, com um sotaque bizarro e uma expressão facial congelada. Normalmente uma excelente atriz, Foster parece passar todos os seus momentos em cena a escolher todas as decisões erradas que um ator poderia tomar a qualquer dado momento. Quase digno de um Razzie.

“Elysium” também parece pegar em muito do que tornou “District 9” tão especial e não só o repete quase ipsis verbis como o faz pior. O comentário social, que no seu primeiro filme abordava o apartheid e era fundamental ao desenrolar da história, é agora dirigido à xenofobia presente nas políticas de imigração e parece estar lá com o único propósito de tentar emprestar alguma força emocional a um filme que é, desta feita, não mais do que um ‘blockbuster’ de ação com contornos de ficção científica. O que não é obrigatoriamente mau à partida, se ao menos for assumido como tal.

Depois de arrombar as portas de Hollywood e atrair a si toda a atenção da Academia com uma ideia original e uma dose considerável de talento e ambição visual, Neill Blomkamp decidiu jogar pelo seguro e essencialmente fazer o mesmo filme com mais dinheiro. Mas pior. E com um cast profissional que acaba por ter desempenhos menos conseguidos que os amadores do primeiro. É “Elysium” um mau filme? Não. Mas podia ter sido tão, tão melhor.

 

Pedro Quedas

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And the Oscar goes to: Top 5 – Discursos de aceitação memoráveis

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Sim, é verdade, muitas vezes os discursos nos Óscares tornam-se uma recitação aborrecida de nomes ou uma parada interminável de choro descontrolado. Por vezes, no entanto, somos abençoados com um daqueles momentos perfeitos em que a cerimónia transcende as suas limitações e se torna memorável. Aqui estão alguns dos melhores exemplos de como se aceitar um Óscar:

5  Michael Moore arrasa Bush num mar de aplausos e assobios

– Adrien Brody beija Halle Berry e cala uma orquestra inteira

3 – Roberto Benigni faz… coisas à Roberto Benigni

2 – Tom Hanks silencia o mundo inteiro

1 – Cuba Gooding Jr. marca o padrão para todos os discursos futuros

Pedro Quedas

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