Monthly Archives: Janeiro 2014

O superficial e o essencial : “American Hustle”

American Hustle

Classificação: 8/10

Nomeações: 10 (Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Ator Secundário, Melhor Atriz Secundária, Melhor Argumento Original, Melhor Montagem, Melhor Guarda-Roupa, Melhor Direção Artística)

 

Com “American Hustle”, o realizador David O. Russell conseguiu um feito incrível. Pela primeira vez na história dos Óscares, um realizador viu o seu filme ser nomeado nas sete “principais” categorias (Filme, Realizador, Ator, Atriz, Ator Secundário, Atriz Secundário, Argumento Original) dois anos consecutivos – depois de ter feito o mesmo com “Silver Linings Playbook”. É algo de louvar e que mostra o quanto o realizador norte-americano se tem afirmado como um dos maiores nomes no firmamento de Hollywood.

No entanto, há algo neste filme que parece… saber a pouco. Como se estivéssemos a assistir a uma dose sem precedentes de talento ser utilizada numa história que, tal como os eventos reais que descreve, talvez não passe de uma bonita encenação sem substância para além do glamour superficial.

Não quer isto dizer que a narrativa de “American Hustle” seja má, apenas não especialmente cativante. Devemos ficar frustrados por sentir, no fim do filme, que não se passou nada de especialmente original? Ou satisfeitos ao ver que o realizador não se deixou cair na tentação de tentar fazer um “twist” bombástico e mirabolante? Talvez ambos, talvez nada disto. A verdade é que, ao longo de todo o filme, nunca sentimos que estamos à beira de ver algo verdadeiramente inesperado.

Onde o filme verdadeiramente se agiganta é na força do seu elenco. David O. Russell volta a rodear-se de algumas das maiores estrelas disponíveis em Hollywood e todo esse talento explode para fora do ecrã. Num papel de grande choque visual (com a sua barriga proeminente e o cabelo inenarrável) e subtileza emocional, Christian Bale interpreta o vigarista Irving Rosenfeld, que ajuda o FBI a apanhar políticos corruptos, como um homem incrivelmente inteligente mas nunca frio, capaz de enganar quem quer mas não totalmente desprovido de coração. É mais um excelente papel de um ator que já nos habituou a constante excelência.

Amy Adams tem um papel por vezes desequilibrado mas nunca desinteressante como a (também) vigarista e amante de Irving, Sydney Prosser, enquanto que Bradley Cooper dá tudo o que tem no seu desempenho como Richie DiMaso, um agente de FBI com muita entrega e o desagradável hábito de não conseguir controlar as emoções – tanto as boas como as más.

Mas o grande destaque aqui deve ser dado a Jennifer Lawrence, que está feita uma atriz de um calibre quase inigualável na Hollywood moderna, com uma mistura de “star power” e talento que é muito raro encontrarmos – principalmente numa atriz que tem ainda apenas 23 anos. Num papel pequeno mas inesquecível como a incontrolável mulher de Irving Rosenfeld, Lawrence acumula cena atrás de cena atrás de cena em que os holofotes não conseguem evitar desviar-se de si. O Óscar de Melhor Atriz Secundária vai ser uma luta de gigantes entre Lawrence e Lupita Nyong’o, num ano que nos tem mimado com a sua inegável qualidade.

Quanto a “American Hustle”, é, dos três grandes candidatos ao Óscar de Melhor Filme (juntamente com “Gravity” e “12 Years a Slave”), provavelmente o mais fraco. Quer isto dizer que é um mau filme? Não, muito pelo contrário. Mas fica a sensação que se tivesse havido a mesma inspiração na história como a que houve no casting, poderíamos estar perante um clássico do cinema moderno. Assim, o que temos é “apenas” um filme muito bom.

 

Pedro Quedas

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A dor escondida em cada olhar : “12 Years a Slave”

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Classificação: 10/10

Nomeações: 9 (Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Ator Principal, Melhor Ator Secundário, Melhor Atriz Secundária, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Montagem, Melhor Direção Artística, Melhor Guarda-Roupa)

 

O plano estende-se desde uma árvore, à esquerda, e as casas na plantação à direita. Ao centro, com os pés a raspar freneticamente no chão em busca de um momentâneo alívio da corda a apertar-lhe o pescoço, Solomon Northup, um escravo negro que, poucos anos antes, vivia como um homem livre em Nova Iorque. À volta de Solomon, os restantes escravos continuam o seu dia de trabalho como se nada passasse, evitando ativamente sequer olhar para o homem a balançar-se de forma periclitante entre a vida e a morte. E o plano mantém-se assim durante 30 segundos, um minuto, dois minutos, mais. Sem mexer um milímetro ou cortar para qualquer imagem menos desconfortável. Sem nos dar descanso.

Esta cena é um excelente exemplo do que torna “12 Years a Slave” um filme tão poderoso. Steve McQueen, no seu estilo visualmente trabalhado mas duro e sem misericórdia, filma muito do seu drama anti-esclavagista com planos aparentemente intermináveis, que não permitem ao espetador o conforto de desviar o seu olhar do horror da história que está a ser contada. É um filme que sabe que deve ser desconfortável. Que menos que isso seria um insulto.

O modo “in your face” como “12 Years a Slave” conta a sua história acaba por exigir muito dos seus atores – e que bem que eles respondem ao desafio. Chiwetel Ejiofor é um monumento de estoicismo e raiva suprimida como Solomon Northup e Michael Fassbender consegue ser melhor ainda, num papel tristemente inesquecível como o cruel e sádico dono da plantação onde Solomon passou a grande maioria dos seus sofridos anos como escravo. Mas o grande destaque tem de ir para Lupita Nyong’o, a atriz estreante que rouba a nossa atenção em qualquer cena em que entra. Mais do que apenas aptidão técnica como atriz (que tem em doses consideráveis), o que a sua performance passa é uma vulnerabilidade que nos parte o coração, uma força interior que nenhuma pessoa da sua idade devia ter, a segurá-la durante um martírio físico e emocional que ninguém deveria ter de viver. O seu olhar trai o desespero que o seu corpo tenta esconder e a sua repulsa é (mal) escondida aos seus “donos” mas tragicamente evidente a todos nós.

Não há como dizê-lo de outra forma – “12 Years a Slave” é uma obra-prima. Um soco no estômago que nunca se deixa cair no melodrama, uma maravilha visual que nunca se deixa apaixonar pelo seu próprio virtuosismo. O que temos aqui é aquele momento raro em que um realizador com coragem para nunca ceder na sua visão se junta a um material de origem com uma força quase inigualável. É um filme que nos atira de cabeça para dentro de uma das maiores vergonhas da História moderna. Um filme que fez este (normalmente estoico) crítico chorar. O filme do ano.

 

Pedro Quedas

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Vitória de Cuáron nos DGA coloca “Gravity” na frente da corrida

Balanço Corrida II

Com a vitória (esperada) de Alfonso Cuarón nos Directors Guild Awards (DGA), o realizador mexicano cimentou a sua considerável liderança na corrida para conquistar o Óscar de Melhor Realizador a 2 de Março. Em 65 edições dos DGA, apenas 7 vezes o seu vencedor não conquistou também o Óscar – e o ano passado foi um dos mais infames exemplos, com Ben Affleck a conquistar o DGA mesmo depois de ter sido ignorado na sua categoria nos Óscares. O ator-realizador norte-americano teve de se “contentar” com um Óscar de Melhor Filme para o seu consagrado filme “Argo”.

Mas o que quer isto dizer no que à corrida para a principal estatueta dourada diz respeito? Bem, olhemos para os números. Como já disse noutro texto, o vencedor do Producers Guild Awards (PGA) acertou no vencedor do Óscar de Melhor Filme 17 em 24 vezes. Mas o problema é que este ano, pela primeira vez, ocorreu um empate – entre “Gravity” e “12 Years a Slave”. Assim, temos de olhar para os vencedores do DGA para tentar ter uma ideia mais precisa daquilo com o que podemos contar – 52 em 65 vezes, o filme cujo realizador ganhou nos DGA conquistou também o Óscar de Melhor Filme.

Quando o vencedor dos prémios dos sindicatos dos produtores e dos realizadores coincide, as percentagens ficam ainda melhores. Nos últimos 24 anos, produtores e realizadores premiaram o mesmo filme 18 vezes. 15 desses acabaram por ganhar o galardão principal da Academia – “Apollo 13” (perdeu para “Braveheart”), “Saving Private Ryan” (“Shakespeare in Love”) e “Brokeback Mountain” (“Crash”) foram as únicas exceções.

Assim, podemos assumir que “Gravity” é, agora, o principal candidato a ganhar os dois principais Óscares, num ano inusitadamente apertado? Sim, mas que ninguém pense que o suspense acabou. Isto porque continua a não ser de todo improvável que “12 Years a Slave” ganhe o Melhor Filme mas perca Melhor Realizador. E ainda nem sequer falei do facto de não ser impossível que o Óscar de Melhor Filme ainda caia nas mãos de “American Hustle”. Lembram-se quando vos falei das três exceções à regra de “quem ganha PGA e DGA ganha tudo?” Pois, dois desses filmes (“Shakespeare in Love” e “Crash”) conseguiram essa surpresa em grande parte por terem conquistado o prémio de Melhor Ensemble nos Screen Actors Guild Awards. E adivinhem quem ganhou esse prémio este ano…

Confusos? Não se preocupem, estamos todos.

 

Pedro Quedas

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Um conto de dois líderes: “Captain Phillips”

Tom Hanks

 

Classificação: 7/10

Nomeações: 6 (Melhor Filme, Melhor Ator Secundário, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Montagem, Melhor Montagem de Som, Melhor Mistura de Som)

 

Quando o barco de mercadorias capitaneado por Richard Phillips é invadido por um grupo de piratas vindos da costa da Somália, todos os seus primeiros instintos vão no sentido de tentar ao máximo manter o controlo da situação. O que se segue é um autêntico jogo de xadrez mental e verbal entre Phillips e o líder dos piratas, Muse, numa história baseada em acontecimentos reais. É um duelo mental impressionante e, apesar das suas limitações, “Captain Phillips” consegue ser um dos melhores exemplos do ano em como manter a tensão no máximo ao longo de todo um filme.

Grande parte da responsabilidade por esta gestão impecável da tensão de cena para cena está no casting e, especificamente, em mais um desempenho irrepreensível de Tom Hanks. O celebrado ator norte-americano, que acabou por ser surpreendentemente deixado de fora das nomeações para o Óscar de Melhor Ator Principal, carrega o filme com a segurança de quem já não sabe estar mal num filme. Calmo mas com a mente sempre a tentar pensar dois passos à frente, Hanks tem aqui um desempenho que impressiona acima de tudo pela contenção, com a exceção de uma muito importante cena perto do final do filme que funciona como o verdadeiro clímax emocional de toda a narrativa.

Mas se é verdade que Hanks está tão bom como sempre, o verdadeiro destaque do filme vai para o impressionante desempenho do estreante Barkhad Abdi. Residente nos EUA desde os 14 anos, onde trabalhou como condutor de limusinas e DJ antes de ver as portas de Hollywood escancararem-se à sua frente, o ator de origem somali enche o ecrã no papel do inexperiente mas muito inteligente jovem líder dos piratas. É uma performance impressionante, com doses generosas de resolução impiedosa e a resignação trágica de quem se entregou a uma vida que, ele próprio o sabe, nunca poderá acabar bem. Uma das interpretações mais subtilmente fortes dos últimos anos e uma das muitas agradáveis surpresas neste ano tão recheado de bom cinema.

A comandar o barco que segura estas duas óptimas interpretações, temos o inglês Paul Greengrass (“Bourne Supremacy”, “United 93”, pelo qual teve uma nomeação para Melhor Realizador, em 2006), que tem escavado o seu nicho em Hollywood como um realizador que nunca desilude, um técnico altamente especializado que aborda cada tema com uma neutralidade quase cirúrgica e deixa toda a subjetividade nas mãos dos seus atores.

Essa mesma segurança e objetividade que lhe tem merecido rasgados e merecidos elogios ao longo da sua carreira consegue ser simultaneamente a razão para o melhor e o pior do filme. Por um lado, é verdade que seria muito fácil um filme como estes descambar para o melodrama ou patriotismo despropositado e Greengrass merece todo o crédito por nunca deixar que isso aconteça. Por outro lado, aquilo que falta a “Captain Phillips” é algum sangue a correr-lhe pelas veias, uma chama a arder por baixo de toda a aptidão técnica. Hanks e Abdi são dois raios de luz que elevam o filme sempre que partilham uma cena, mas não chegam para eliminar a inegável sensação de frieza e separação emocional que perpassa quase toda a obra, como se nunca nos fosse permitido verdadeiramente entrar nas cenas. Feitas as contas, o que temos aqui é, simplesmente, um filme muito bem feito. Será suficiente?

 

Pedro Quedas

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Perigo, poesia e planos-sequência: “Gravity”

Gravity

Classificação: 9/10

Nomeações: 10 (Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Atriz Principal, Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Banda Sonora Original, Melhor Direção Artística, Melhor Montagem de Som, Melhor Mistura de Som, Melhores Efeitos Visuais)

 

Só lhe vemos a cara por uns breves segundos. Depois ela desaparece e roda para o fundo do plano, preparando o seu frenético regresso. E enquanto a cientista Ryan Stone, azarada estreante em missões espaciais, gira indefesa no frio gelado do espaço sideral, a câmara gira com ela, por vezes na sua cara, por vezes à sua volta, sempre em movimento, aparentemente sem a capacidade de parar. “Gravity” é uma experiência imersiva que almeja, acima de tudo, fazer o espetador sentir no corpo cada dor de impacto quando os astronautas colidem com um pedaço de satélite à deriva, cada enjoo de movimento quando esse mesmo impacto os catapulta para o vazio. “Gravity” é um exemplo incrivelmente elegante da magia do cinema.

O responsável por esta pequena grande pérola é o já incontornável realizador mexicano Alfonso Cuarón, que parece ter estado a aperfeiçoar a sua mestria visual de filme para filme (desde “Great Expectations” a “Children of Men”, passando por “Y Tu Mamá También”) até culminar no esplendor desta aventura espacial. Especificamente, os virtuosos planos-sequência pelos quais se tem tornado famoso em Hollywood e que se conjugam em “Gravity” para nos dar a mais pura sensação de vertigem e adrenalina. E isto num filme relativamente parado com muito pouca narrativa e ainda menos diálogos.

A ajudá-lo a carregar o fardo de tornar uma obra tão potencialmente enfadonha na mais vertiginosa aventura de 2013 está Sandra Bullock, que tem uma performance incrível, com doses generosas de segurança e vulnerabilidade e um toque leve de humor, especialmente nas cenas que partilha com George Clooney, a transpirar carisma e confiança por todos os poros. A atriz norte-americana tem estado a marcar o seu lugar no topo da hierarquia de Hollywood e é uma das principais favoritas a arrecadar o Óscar de Melhor Atriz.

A história, já sobejamente conhecida, acompanha a luta de uma equipa de astronautas que, depois da explosão de um satélite russo, se vêm perante uma luta desigual contra a (ausência de) inércia da atmosfera zero e o medo aterrorizador de uma morte lenta e solitária nos cantos mais escuros do Universo. Competente que é, é no argumento que podemos encontrar os poucos defeitos de “Gravity”. Não por ser lento ou aborrecido, como tem sido injustamente acusado de ser, mas por se deixar sucumbir, a espaços, por alguns simbolismos um pouco forçados e homenagens cinematográficas demasiado óbvias. Detalhes que se devem apontar mas que acabam por ser, diga-se, quase irrelevantes na experiência de ver este filme. A história, aqui, não quer ser mais que uma tela cristalina para a imagem brilhar.

“Gravity” não é tanto sobre o que vai acontecer aos astronautas perdidos quanto é sobre o que é “ser” um astronauta perdido. É um ataque visceral aos nossos sentidos, uma viagem simultaneamente cirúrgica e poética sobre quão grande pode verdadeiramente ser a condição humana perante o titânico domínio do infinito. Este filme tem sido falado como a primeira verdadeira grande oportunidade de vermos um filme de ficção científica a ganhar um Óscar de Melhor Filme – algo que nunca aconteceu.

A verdade é que, se olharmos com atenção para a sua definição, “Gravity” não é necessariamente um filme de ficção científica. Não encontramos aqui alegorias sobre os desafios da humanidade ou visões do futuro. O que Cuarón nos apresenta é uma história que assenta na mais dura das realidades – que a nossa carapaça humana é muito frágil e pateticamente pequena. O júri ainda está deliberar quanto à potencial grandeza da nossa alma.

 

Pedro Quedas

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A corrida aos Óscares nunca esteve tão imprevisível

Balanço Corrida I

Os Producers Guild Awards (PGA) são cruciais na corrida aos Óscares. Desde a sua criação, o vencedor dos PGA coincidiu com o vencedor de Melhor Filme nos Óscares 17 em 24 vezes – e os prémios têm estado em linha há já seis anos consecutivos. A última vez que divergiram foi quando o PGA foi dado a “Little Miss Sunshine” e o Óscar a “The Departed”, em 2006. Assim, como podem prever, toda a comunidade de Hollywood estava presa por arames à espera da decisão do sindicato dos produtores.

À chegada ao prémio, havia (ou parecia haver) dois filmes na liderança das preferências de Hollywood – “12 Years a Slave” e “American Hustle”, que tinham até levado o Golden Globe de Melhor Filme, nas categorias de Drama e Comédia/Musical, respectivamente. Todos aguardavam a escolha dos produtores para consolidar o estatuto de favorito a um destes dois filmes.

E foi então que, pela primeira em 25 edições do prémio, o PGA declarou um empate e deu o seu prémio a dois filmes. E, para adicionar ainda mais confusão à corrida, os filmes que empataram foram “12 Years a Slave” e “Gravity”, com “American Hustle” a ficar de fora.

E agora, quer isto dizer que a corrida passou a ser entre o drama anti-esclavagista de Steve McQueen e o épico espacial de Alfonso Cuarón? Não necessariamente, dado que “American Hustle” recebeu o prémio de Melhor Elenco nos Screen Actors Guild (SAG) Awards, o que poderá querer dizer que terá uma fatia importante do voto dos atores do seu lado. Avizinha-se um ano com uma incerteza sem precedentes nos principais prémios. O que não será de estranhar naquela que é considerada uma das mais ricas fornadas de cinema dos últimos anos.

Já na corrida dos atores e atrizes, as tendências parecem estar já a ficar muito mais consolidadas, com os vencedores nos Golden Globes e Critics Choice Awards a estarem (quase totalmente) em linha com os vencedores nos muito mais importantes SAG Awards. Na categoria de Melhor Ator Principal, Matthew McConaughey está na clara liderança depois da sua vitória nos SAGs pela sua performance em “Dallas Buyers Club”, mesmo num ano em que tantos pesos pesados estão a concurso. Este filme poderá mesmo estar já com outro Óscar “no bolso”, dado que Jared Leto é também o claro favorito na categoria de Melhor Ator Secundário.

Nas atrizes, Cate Blanchett está na liderança na categoria principal pelo seu papel no mais recente filme de Woody Allen, “Blue Jasmine”. A atriz australiana, nomeada seis vezes (três vezes como principal e três vezes num papel secundário) deverá conquistar o seu segundo Óscar (depois da vitória como Melhor Atriz Secundária em 2004, em “The Aviator”). A única corrida em que se tem levantado alguma dúvida é a de Melhor Atriz Secundária, depois de Jennifer Lawrence (“American Hustle”) ter ficado com o Golden Globe e Lupita Nyong’o (“12 Years a Slave”) ter saído vencedora nos Critics Choice Awards. Com a sua posterior vitória nos SAG Awards, Nyong’o assume a liderança nas expectativas para este prémio.

E porque devemos ter em conta os SAG Awards? Porque eles tendem a coincidir muitas vezes com os vencedores dos Óscares. No ano passado, aliás, o único que não coincidiu foi Christoph Waltz como Melhor Ator Secundário em “Django Unchained”, mas não nos podemos esquecer que isso aconteceu porque o Screen Actors Guild o tinha registado como Ator Principal e, como tal, inelegível para o prémio. Será que este ano os SAGs vão voltar a ter o dom de Nostradamus nestas previsões? Ainda faltam algumas (longas, muito longas) semanas para termos essa resposta.

 

Pedro Quedas

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“American Hustle”, “Gravity” e “12 Years a Slave” lideram nomeações para os Óscares

Nomeações 2014

Já se sabem as nomeações para os Óscares e, sem entrar ainda na conversa de quem irá ganhar, temos um vencedor claro – David O. Russell. O realizador norte-americano conseguiu, pelo segundo ano consecutivo, ver um filme seu receber nomeações para Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Ator Principal, Melhor Atriz Principal, Melhor Ator Secundário e Melhor Atriz Secundária – essencialmente, todos os Óscares considerados mais “importantes”. Um feito sem precedentes.

“American Hustle” tem 10 nomeações no total, as mesmas que “Gravity” e uma mais que “12 Years a Slave”. Estes são os três principais favoritos à conquista da estatueta final, sendo que o drama sobre escravatura de Steve McQueen parte com algum favoritismo. A ver vamos se se mantém assim nas próximas semanas.

No que respeita a quem ficou mais desiludido com estas nomeações aponto os Irmãos Coen, que viram “Inside Llewyn Davis” ter apenas duas nomeações (Fotografia e Mistura de Som), e Tom Hanks, de quem se falava estar na luta por duas nomeações (para Ator Principal em “Captain Phillips” e Ator Secundário em “Saving Mr. Banks”) e acabou por não ter  nenhuma.

Segue a lista completa dos nomeados:

 

Melhor Filme

“12 Years a Slave”

“American Hustle”

“Captain Phillips”

“Dallas Buyers Club”

“Gravity”

“Her”

“Nebraska”

“Philomena”

“The Wolf of Wall Street”

Melhor Realizador

Alfonso Cuarón, “Gravity”

Steve McQueen, “12 Years a Slave”

Alexander Payne, “Nebraska”

David O. Russell, “American Hustle”

Martin Scorsese, “The Wolf of Wall Street”

Melhor Ator Principal

Christian Bale, “American Hustle”

Bruce Dern, “Nebraska”

Chiwetel Ejiofor, “12 Years a Slave”

Matthew McConaughey, “Dallas Buyers Club”

Leonardo DiCaprio, “The Wolf of Wall Street”

Melhor Atriz Principal

Amy Adams, “American Hustle”

Cate Blanchett, “Blue Jasmine”

Judi Dench, “Philomena”

Meryl Streep, “August: Osage County”

Sandra Bullock, “Gravity”

Melhor Ator Secundário

Barkhad Abdi, “Captain Phillips”

Bradley Cooper, “American Hustle”

Michael Fassbender, “12 Years a Slave”

Jonah Hill, “The Wolf of Wall Street”

Jared Leto, “Dallas Buyers Club”

Melhor Atriz Secundária

Sally Hawkins, “Blue Jasmine”

Jennifer Lawrence, “American Hustle”

Lupita Nyong’o, “12 Years a Slave”

Julia Roberts, “August: Osage County”

June Squibb, “Nebraska”

Melhor Argumento Adaptado

“Before Midnight”, Richard Linklater, Julie Delpy, Ethan Hawke

“Captain Phillips”, Billy Ray

“Philomena”, Steve Coogan e Jeff Pope

“12 Years a Slave”, John Ridley

“The Wolf of Wall Street”, Terence Winter

Melhor Argumento Original

“American Hustle”, Eric Warren Singer e David O. Russell

“Blue Jasmine”, Woody Allen

“Dallas Buyers Club”, Craig Borten e Melisa Wallack

“Her”, Spike Jonze

“Nebraska”, Bob Nelson

Melhor Fotografia

“The Grandmaster”, Philippe Le Sourd

“Gravity”, Emmanuel Lubezki

“Inside Llewyn Davis”, Bruno Delbonnel

“Nebraska”, Phedon Papamichael

“Prisoners”, Roger A. Deakins

Melhor Montagem

“American Hustle”, Jay Cassidy, Crispin Struthers e Alan Baumgarten

“Captain Phillips”, Christopher Rouse

“Dallas Buyers Club”, John Mac McMurphy e Martin Pensa

“Gravity”, Alfonso Cuarón e Mark Sanger

“12 Years a Slave”, Joe Walker

Melhor Filme de Animação

“The Croods”

“Despicable Me 2”

“Ernest & Celestine”

“Frozen”

“The Wind Rises”

Melhor Filme Estrangeiro

“The Broken Circle Breakdown”, Bélgica

“The Great Beauty”, Itália

“The Hunt”, Dinamarca

“The Missing Picture”, Camboja

“Omar”, Palestina

Melhor Banda Sonora Original

“The Book Thief”, John Williams

“Gravity”, Steven Price

“Her”, William Butler e Owen Pallett

“Philomena”, Alexandre Desplat

“Saving Mr. Banks”, Thomas Newman

Melhor Música Original

“Alone Yet Not Alone” de “Alone Yet Not Alone”

“Happy” de “Despicable Me 2”

“Let It Go” de “Frozen”

“The Moon Song”de “Her”

“Ordinary Love” de “Mandela: Long Walk to Freedom”

Melhor Direção Artística

“American Hustle”

“Gravity”

“The Great Gatsby”

“Her”

“12 Years a Slave”

Melhor Guarda-Roupa

“American Hustle”

“The Grandmaster”

“The Great Gatsby”

“The Invisible Woman”

“12 Years a Slave”

Melhor Caracterização

“Dallas Buyers Club”

“Jackass Presents: Bad Grandpa”

“The Lone Ranger”

Melhor Documentário

“The Act of Killing”

“Cutie and the Boxer”

“Dirty Wars”

“The Square”

“20 Feet from Stardom”

Melhor Documentário, Curta-Metragem

“CaveDigger”

“Facing Fear”

“Karama Has No Walls”

“The Lady in Number 6: Music Saved My Life”

“Prison Terminal: The Last Days of Private Jack Hall”

Melhor Curta-Metragem, Animação

“Feral”

“Get a Horse!”

“Mr. Hublot”

“Possessions”

“Room on the Broom”

Melhor Curta-Metragem, Live Action

“Aquel No Era Yo (That Wasn’t Me)”

“Avant Que De Tout Perdre (Just before Losing Everything)”

“Helium”

“Pitääkö Mun Kaikki Hoitaa? (Do I Have to Take Care of Everything?)”

“The Voorman Problem”

Melhor Montagem de Som

“All Is Lost”

“Captain Phillips”

“Gravity”

“The Hobbit: The Desolation of Smaug”

“Lone Survivor”

Melhor Mistura de Som

“Captain Phillips”

“Gravity”

“The Hobbit: The Desolation of Smaug”

“Inside Llewyn Davis”

“Lone Survivor”

Melhores Efeitos Visuais

“Gravity”

“The Hobbit: The Desolation of Smaug”

“Iron Man 3”

“The Lone Ranger”

“Star Trek Into Darkness”

Pedro Quedas

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