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A injustiça da abundância: Top 5 – Anos mais fortes de Hollywood

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É raro o ano em que não encontramos pelo menos um ou dois filmes que nos marcam de forma especial. Mas acontece haver cerimónias em que nenhum dos nomeados pode ser considerado um clássico intemporal e simplesmente se tem de escolher um. Por outro lado, temos outros anos em que o talento se parece ter acumulado e contribuído para algumas das mais difíceis decisões da Academia. Anos que deixaram filmes de topo no limbo esquecido dos “outros nomeados”. Numa retrospectiva dos nomeados na categoria de Melhor Filme, aqui ficam os cinco anos mais fortes da História dos Óscares:

 

5 – 1989: Este foi um ano de histórias e personagens inspiradoras. Desde o veterano de guerra Ron Kovic de “Born on the Fourth of July”, de Oliver Stone, a Christy Brown em “My Left Foot” (Jim Sheridan), o escritor e pintor irlandês que, fruto de ter nascido com paralisia cerebral, só conseguia escrever e pintar com o seu pé esquerdo, passando pelo professor que todos queríamos ter, John Keating, em “Dead Poets Society” (Peter Weir), 1989 apresentou-nos um extenso rol de filmes e interpretações memoráveis. E depois ganhou “Driving Miss Daisy”. Ok.

 

4 – 1993: Não havia a mais pequena dúvida para quem iria o Óscar neste ano. “Schindler’s List”, de Steven Spielberg, foi o justíssimo vencedor de sete Óscares e foi sempre o grande favorito. Isto poderá dizer bastante sobre a grandeza do filme, considerando que teve concorrência tão forte como “In The Name of the Father”, de Jim Sheridan, “The Piano”, de Jane Campion, e “The Remains of the Day”, de James Ivory. Um ano de excelentes filmes que, infelizmente, escolheram o ano “errado” para sair.

 

3 – 1994: Dois excelentes anos de seguida. Já por aqui falámos de como o facto de “Forrest Gump” ser um belíssimo filme não significa que merecesse ganhar e de como talvez Frank Darabont (“The Shawshank Redemption”) ou, acima de tudo, Quentin Tarantino (“Pulp Fiction”) o mereciam mais. O que ficou por dizer é que os outros dois nomeados para Melhor Filme foram o injustamente esquecido “Quiz Show” e uma das melhores comédias românticas de sempre, “Four Weddings and a Funeral”. Que ano.

 

2 – 1974: “The Godfather Part II”, de Francis Ford Coppola, é a melhor sequela de sempre. Muitos há que o consideram até melhor que o primeiro. É, sem grande polémica, pura e simplesmente um dos melhores filmes da História do Cinema. Seria de esperar, portanto, que este Óscar de Melhor Filme tivesse sido uma das decisões mais fáceis da Academia. Nem por isso, dado que este foi o ano em Roman Polanski lançou a sua obra-prima, o clássico ‘noir’ “Chinatown”. A concorrência foi ainda mais apertada com a competição por parte do fenomenal “The Conversation”, curiosamente também de Francis Ford Coppola.

 

1 – 1939: Em plena “era dourada” de Hollywood, 1939 foi o provavelmente o ano mais “gordo” e opulento de todos. Este foi o ano que nos deu a inspiração melodramática de Frank Capra, com “Mr. Smith Goes To Washingtown”. Foi o ano em que John Ford estabeleceu o padrão ao qual todos os ‘westerns’ se comparam, com “Stagecoach”. Foi o ano em que a magia do cinema a cores brilhou com nunca antes, em “The Wizard of Oz”. Foi também o ano em que o épico “Gone With The Wind” ganhou o Óscar de Melhor Filme. Qualquer um destes podia ter ganho. Num ano com esta qualidade, com uma escolha tão impossivelmente difícil, “frankly, my dear, I don’t give a damn”…

 

Pedro Quedas

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