Tag Archives: Balanço

Quem parte na liderança na corrida ao Óscar?

Primeiro Balanço Corrida

Ainda há muitos filmes para ver e avaliar até à cerimónia e deixarei para as minhas previsões “oficiais” para os dias imediatamente antes da noite dos Óscares, mas isso nunca me impediu de especular desvairadamente sobre o que poderá acontecer. Vamos tirar uns momentos hoje para fazer as melhores previsões que existem – as que partem quase totalmente de instinto e ainda não foram minadas por horas e horas de “análise de mercado”.

Comecemos então por notar que há muitos anos que não tínhamos uma corrida ao Óscar tão em aberto após as nomeações. Especialmente na categoria de Melhor Filme, onde temos cinco potenciais vencedores com esperanças credíveis de arrecadar um Óscar. Na linha da frente, temos “Spotlight”, “The Big Short” e “The Revenant” com claras aspirações “ao título”. Eu diria que o filme de Alejandro G. Iñárritu tem menos hipóteses dado que nenhum realizador alguma vez viu o seu filme ser premiado dois anos seguidos, mas neste ano tão imprevisível, nenhuma carta está fora do baralho. Incluindo a Academia ir para filmes mais “ao lado”, como “The Martian” ou até mesmo “Mad Max Fury Road”.

Na corrida dos realizadores, o consenso está mais voltado para o veterano George Miller. Acima de tudo, porque o seu “Mad Max Fury Road” é, de todos estes filmes, provavelmente aquele onde está mais vincada a visão singular do seu criador. Absolutamente mais ninguém poderia ter criado aquela gloriosa bizarria. Se Tom McCarthy (“Spotligh”) ganhar, no entanto, poderemos ter uma pista bastante clara sobre o rumo da Academia para o Melhor Filme também.

Quando olhamos para as corridas aos prémios de atores, temos um grande contraste entre as performances “principais” e as “secundárias”. Por exemplo, no Óscar de Melhor Ator Principal não há basicamente suspense nenhum. Leonardo DiCaprio não é o favorito para ganhar, Leonardo DiCaprio vai ganhar. A corrida acabou. Para Melhor Atriz Principal, a corrida está um pouco menos definida, mas essencialmente reduzida a duas jovens promessas: Brie Larson e Saoirse Ronan.

A conversa fica um pouco mais confusa quando olhamos para os papéis secundários. Para Atriz Secundária, o instinto seria colocar Kate Winslet na liderança pelo seu excelente papel em “Steve Jobs”, até depois da vitória nos Golden Globes. Mas o consenso dos críticos vai antes para uma luta “feroz” entre Alicia Vikander e Rooney Mara. E se eu vos disser que há uma forte possibilidade de Jennifer Jason Leigh surpreender todos e “roubar” a estatueta? Isto tudo para vos dizer que está completamente em aberto.

Tal é a situação também no Óscar de Melhor Ator Secundário. A escolha emocional de muitos está a inclinar-se para premiar Sylvester Stallone pelo seu surpreendentemente profundo trabalho em “Creed”, podendo um Óscar neste papel poder servir como um remate muito simétrico a uma carreira que começou exatamente com o primeiro “Rocky”. Mas este prémio está tudo menos entregue. Se é verdade que Christian Bale e Mark Ruffalo deverão estar mais contentes só por serem nomeados, os outros dois nomeados estão completamente na luta – Tom Hardy pelo seu vilão em “The Revenant” e Mark Rylance pela subtileza do seu espião capturado em “Bridge of Spies”. Ainda assim, eu diria que muitos dos corações da Academia não vão conseguir resistir a dar o Óscar “de carreira” ao senhor Balboa.

 

Pedro Quedas

Anúncios

Deixe um comentário

Filed under Em Análise, Uncategorized

A sério? Outra vez?: Balanço da quarta semana da corrida aos Óscares

Image

Quantas vezes mais vamos ver “Argo” a ganhar um prémio e continuar a dizer que “Lincoln” é o (ligeiro) favorito à conquista do mais cobiçado Óscar na noite de 24 de Fevereiro? Depois de Ben Affleck ter sido galardoado com o prémio de Melhor Realizador nos Directors Guild of America Awards, pelo vistos mais uma.

A relevância desta vitória não se sente tanto na corrida para o Óscar de Melhor Realizador, dado que Ben Affleck não foi, surpreendentemente, nomeado. Nessa categoria, o claro favorito continua a ser, como tem sido desde que começou esta longa temporada de prémios, Steven Spielberg. Onde este efeito se pode sentir é na criação de ainda mais ‘buzz’ para o possível destronar de “Lincoln” do topo da hierarquia cinematográfica do ano cinematográfico. Para que não fiquem dúvidas, esta está a ser a corrida ao Óscar mais apertada desde há muito, muito tempo.

Mas como podemos nós dizer isto? Sim, é verdade que a não nomeação de Ben Affleck como realizador é um muito mau presságio para a candidatura de “Argo” a Melhor Filme, mas como podemos ignorar a importância de todos os prémios que já conquistou? Pensem bem nisto, já alguma vez aconteceu um filme ganhar nos Globos de Ouro, nos prémios do sindicato dos produtores e no prémio do sindicato dos realizadores e mesmo assim não levar para casa o Óscar?

A resposta é… sim. Em 1995, “Apollo 13” conquistou todos estes prémios e mesmo assim acabou por perder para “Braveheart”. E, se “Lincoln” acabar por sair triunfante sobre “Argo”, será pela mesma razão que o épico de Mel Gibson venceu sobre o excelente filme de Ron Howard. Não por uma questão de qualidade – todos os quatros filmes mencionados aqui a têm em abundância –, mas pura e simplesmente porque, à falta de melhor expressão, a obra de Steven Spielberg “parece” mais um filme de Óscar. É o tipo de filme para o qual os mais velhos membros da Academia (uma considerável parte dos que votam) tendem a gravitar. Mas quem sabe? Talvez a narrativa de dar um Óscar a uma estrela tão popular como Affleck supere o desejo de fazer o voto “normal”. De votar no talento já estabelecido e não no emergente.

Em jeito de conclusão de mais uma semana de antecipação aos Óscares, é de referir que foram anunciados também os vencedores no prémio do sindicato dos directores artísticos. Dividido em três categorias, o prémio para melhor direcção artística num filme de época foi entregue a “Anna Karenina”, com “Life of Pi” a levar o prémio na categoria de filme do género fantástico e “Skyfall” a ser galardoado como o melhor na selecção de filmes contemporâneos. Sendo que o novo filme da saga James Bond não foi nomeado para os Óscares nesta categoria, a corrida parece ficar assim reduzida a dois. E, dada a regular preferência da Academia pelos filmes de época nestas categorias, a adaptação cinematográfica da obra de Leo Tolstoi parece estar, à partida, na liderança.

 

Pedro Quedas

Deixe um comentário

Filed under Em Análise

O ano de todos os candidatos: Balanço da terceira semana da corrida aos Óscares

Image

Lembram-se quando aconselhei os fãs de “Argo” para não ganharem muita confiança numa vitória nos Óscares só porque o filme tinha ganho nos Globos de Ouro? De como esse prémio tende a falhar constantemente como “profeta” das escolhas da Academia? E de como, ainda por cima, o facto do Ben Affleck não ter sido nomeado para Melhor Realizador tornou a possibilidade do seu filme ganhar ainda mais remota? Pois bem, essa hipótese deixou de ser assim tão implausível.

Com a sua inesperada vitória nos Producers Guild of America durante o fim-de-semana, “Argo” catapultou-se para a frente da corrida aos Óscares. Como não podemos conceder-lhe o favoritismo, dado que o Óscar de Melhor Filme tem coincidido com a preferência do sindicato dos produtores nos últimos cinco anos? Em qualquer outro ano, esta seria a altura de simplesmente apontar o filme de Ben Affleck como o claro favorito à estatueta dourada.

Mas este não é qualquer outro ano. Porque não nos podemos esquecer que a última vez que um filme conquistou o galardão principal sem ter o seu realizador nomeado foi em 1989. E que isso só aconteceu um total de quatro vezes em toda a história dos prémios. A narrativa do “renascimento” de Ben Affleck como um dos nomes mais respeitados da indústria é exactamente o tipo de história que a Academia gosta de celebrar, mas será isso suficiente?

Por isso é importante não esquecer que “Lincoln” continua a ser uma escolha preferida por muitos, e que a Academia pode sentir a vontade de voltar a premiar o tanto aclamado quanto criticado Steven Spielberg. E que “Silver Linings Playbook” pode ainda surgir do nada e aproveitar o facto dos votos se dividirem entre tantos filmes para aparecer como candidato surpresa. Não nos esqueçamos que o filme é distribuído pelos irmãos Weinstein, famosos (infames?) pelo sucesso das suas campanhas ao Óscar e cujos filmes saíram vencedores nas últimas duas edições dos prémios. Já “Zero Dark Thirty”, um forte candidato inicial, poderá revelar-se uma escolha demasiado polémica para os conservadores membros da Academia. Uma coisa é certa: esta é a corrida mais apertada de que temos memória nos últimos anos.

Foram anunciados também entretanto os vencedores dos prémios do Screen Actores Guild, o sindicato dos actores de Hollywood. Apesar de não tão eficazes na previsão dos Óscares como os dos produtores, os vencedores destes prémios costumam ter um caminho mais facilitado para a cerimónia de Fevereiro.

Nas duas categorias em que já havia um favorito à partida, esse favoritismo confirmou-se. Já podemos afirmar neste momento que será muito chocante se Daniel Day-Lewis e Anne Hathaway não regressarem a casa com os Óscares de Melhor Actor Principal e Melhor Actriz Secundária, respectivamente. Na corrida para a Melhor Actriz Principal as duas principais candidatas continuam a ser Jessica Chastain e Jennifer Lawrence, mas a segunda parece estar agora na dianteira, depois do reconhecimento por parte do sindicato. Por fim, a vitória de Tommy Lee Jones como Melhor Actor Secundário só veio juntar ainda mais incerteza a uma das corridas mais imprevisíveis desta ‘Oscar Season’.

 

Pedro Quedas

Deixe um comentário

Filed under Em Análise

Críticos preferem “Zero Dark Thirty” e “Amour”: Balanço da segunda semana da corrida aos Óscares

Image

Os críticos não votam nos Óscares. É importante salientar isto para que não se saltem para conclusões precipitadas mal começam a sair os primeiros resultados na ‘Oscar season’, por isso vamos repetir: os críticos não votam nos Óscares. Isso não quer dizer, no entanto, que não possam ter influência. Muitas vezes, têm bastante.

Foi a unanimidade do voto dos críticos que se crê ter orientado, em 2009, o voto dos membros da Academia na direcção do, na altura desconhecido, filme de Kathryn Bigelow, “The Hurt Locker”. Veremos em breve se têm a mesma influência com “Zero Dark Thirty” nesta temporada dos Óscares.

Para já, o apoio está lá. Tanto o New York Film Critics Circle como a Chicago Film Critics Association votaram em “Zero Dark Thirty” como melhor filme do ano, naquele que poderá ser um prenúncio de qual será o único filme com hipóteses realistas de retirar o esperado Óscar a “Lincoln”, mesmo considerando que a Academia rejeitou Bigelow para Melhor Realizadora.

É interessante também notar que poderá muito bem ter sido o apoio dos críticos a empurrar “Amour” na direcção da sua justa mas inesperada nomeação para Melhor Filme. Tanto a Los Angeles Film Critics Association como National Society of Film Critics apontaram o filme de Michael Haneke como o melhor do ano. Ambas as associações deram também o seu voto à única actriz que poderá trazer consigo uma surpresa no Óscar de Melhor Actriz Principal: Emmanuelle Riva.

Quando olhamos para os votos dos críticos, tanto podemos ver tendências como ficar ainda mais confusos. No prémio de Melhor Actor Secundário, por exemplo, que já de si é o Óscar mais incerto de prever deste ano, três das quatro principais associações de críticos votaram em actores que acabaram por nem sequer ser nomeados.

Onde a orientação dos prémios se torna interessante é quando se assiste a unanimidade num não favorito. É esse o caso de Amy Adams, que tem reunido o consenso dos críticos pelo seu papel em “The Master”, lançando assim a sua candidatura a “destronar” Anne Hathaway como favorita ao Óscar de Melhor Actriz Secundária.

Por fim, um último apontamento pelo único Óscar que parece já estar basicamente entregue. Com a excepção dos críticos de Los Angeles, que preferiram Joaquin Phoenix, em “The Master”, a vasta maioria dos prémios de críticos seguiram a tendência que se deverá manter na categoria de Melhor Actor Principal. A 24 de Fevereiro, Daniel Day-Lewis vai receber o seu terceiro Óscar.

Pedro Quedas

Deixe um comentário

Filed under Em Análise

O Globo de Ouro já chega?: Balanço da primeira semana da corrida aos Óscares

Image

Já começou a temporada dos prémios nos EUA, a altura em que várias organizações começam a premiar o melhor do cinema no ano passado e começamos a criar uma certa noção do que se poderá passar nos Óscares. Com duas vitórias seguidas nos Critics’ Choice Awards e nos Globos de Ouro, seria de esperar que “Argo”, de Ben Affleck, estivesse destacado na dianteira para receber o cobiçado Óscar de Melhor Filme, em Fevereiro. A realidade pode vir a ser bem diferente.

Tradicionalmente, algumas pessoas tendem a sobrevalorizar a importância dos Globos de Ouro que, salvo anos em que o consenso quanto ao melhor filme do ano é geral, tende a premiar muitas pessoas diferentes das que ganham nos Óscares. Especificamente, este é um prémio que tende a pender mais para o lado das celebridades e das “boas narrativas”. A ascensão de Ben Affleck é das narrativas mais indiscutivelmente interessantes deste último ano cinematográfico.

A verdade é que o facto de Affleck não ter sido nomeado para Melhor Realizador pode ser um sinal de que o seu filme sairá derrotado a 24 de Fevereiro, dado que é muito raro um filme ganhar quando o seu realizador nem sequer foi nomeado (a última vez que aconteceu foi em 1989, com “Driving Miss Daisy”).

Avaliando as escolhas dos analistas do “buzz” para os Óscares, o principal favorito continua a ser “Lincoln”, de Steven Spielberg, com o lendário realizador a ser também o “líder do pelotão” na sua categoria. Juntando-se a “Argo” como principais candidatos a uma surpresa temos, acima de tudo, “Silver Linings Playbook” e “Life of Pi”.

Uma categoria onde a tarefa das previsões se torna ainda mais incerta é na dos actores, onde as surpresas são uma constante quase todos os anos. Apesar de tudo, é previsível que o Óscar de Melhor Actriz Secundária vá para o curto mas memorável papel de Anne Hathaway em “Les Misérables” e que o de Melhor Actor Principal não escape ao incontornável Daniel Day-Lewis, como “Lincoln”.

Nas duas restantes categorias é mais complicado, pelo menos tão cedo na corrida, prever um vencedor. Jennifer Lawrence e Jessica Chastain deverão batalhar pela honra de serem consideradas a Melhor Actriz Principal do ano, enquanto que a corrida para o Óscar de Melhor Actor Secundário se deverá revelar a mais renhida do ano, com nomes tão fortes como Tommy Lee Jones, Robert De Niro, Phillip Seymour Hoffman, Christoph Waltz e Alan Arkin em competição.

 

Pedro Quedas

Deixe um comentário

Filed under Em Análise