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O triunfo do fantástico: Top 5 – Filmes favoritos da obra de Steven Spielberg

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Hoje inauguramos neste blog uma série de retrospectivas à obra de vários realizadores de renome na forma de singelos tops com algumas seleções dos meus filmes favoritos. Começo esta rubrica com um olhar ao talento (por vezes incompreendido) do realizador norte-americano Steven Spielberg. De notar que estas minhas escolhas referem as minhas preferências pessoais e não necessariamente os filmes que se podem considerar “objectivamente” os melhores. A título de exemplo, na minha opinião, o “melhor” filme de Spielberg é “Schindler’s List”. Para saber qual é o meu favorito, é continuar a ler:

 

5 – Schindler’s List (1993) (12 Nomeações): Dizer que se “gosta” deste filme é sempre uma escolha ingrata de palavras. Não “gosto” de revisitar esta obra-prima, temo-o. Porque o génio da sensibilidade de Spielberg está a trabalhar a um nível tão apurado neste filme, sobre o horror do Holocausto, que me bastam ouvir os primeiros acordes daquele violino para o meu coração se afundar na mais profunda tristeza. Este tipo de emoção só está ao alcance de muito poucos.

 

4 – Raiders of the Lost Ark (1981) (8 Nomeações): O mais entusiasmante exemplo de como o mais pipoqueiro entretenimento se pode elevar à mais pura das artes. Steven Spielberg e George Lucas unem esforços para procurar reproduzir a frenética magia dos filmes clássicos de aventuras. Guiados pelo inesquecível Indiana Jones, somos todos conduzidos numa aventura repleta de misticismo divino, odiosos nazis e serpentes. Raios partam as serpentes.

 

3 – Jaws (1975) (4 Nomeações): “We’re gonna need a bigger boat”. Esta frase icónica marcou não só um dos momentos mais inesquecíveis deste clássico mas também serviu como uma espécie de prenúncio do que estava para vir. Com “Jaws”, o (na altura ainda muito jovem) Spielberg “inventou” o ‘blockbuster’ moderno, munido apenas com três grandes atores, uns poucos acordes de música orquestral e um tubarão que demorava em aparecer.

 

2 – E. T. the Extra-Terrestrial (1982) (9 Nomeações): Este filme é simplesmente mágico, uma cristalização perfeita de tudo o que torna Spielberg um autor tão simultaneamente amado e odiado – o seu deleite em atacar cada história de um ponto de vista emocional. E, nesta história de amizade entre um rapaz e um visitante de outro planeta, oscilamos entre gargalhadas abertas a choro descontrolado. “E. T.” é pura magia do cinema.

 

1 – Close Encounters of the Third Kind (1978) (8 Nomeações): Este é um dos meus filmes favoritos de sempre. Porquê? Porque mantém o suspense sobre o seu desfecho de forma brilhante. Porque utiliza música com uma espécie de forma de comunicação universal interestelar. Porque utiliza o brilhar da luz no escuro tanto para assustar como para deslumbrar. E, acima de tudo, porque olha para toda uma nova realidade por explorar não com medo, mas com o mais acriançado fascínio.

 

Pedro Quedas

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A transcendência do real: Top 5 – Biopics destacados pela Academia

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Nunca compreendi as pessoas que pura e simplesmente descartam filmes de fantasia ou de ficção científica por serem irrealistas. Não percebo o instinto para confinarmos a expressão artística aos limites da realidade quando a beleza da arte surge tantas vezes no poder de podermos transcender esses mesmos limites.

Dito isso, muitos dos melhores filmes na História do Cinema surgiram do desejo de dar expressão a histórias da vida real, a momentos em que o ser humano se elevou ao ponto de causar impactos na nossa vida que perduram para sempre. Esta lista pretende homenagear essas histórias:

 

5 – The Social Network (2010): Este filme, escrito e realizado brilhantemente por Aaron Sorkin e David Fincher, respectivamente, é sobre muito mais que uma rede social. É uma história de ambição e aspiração ao topo, sobre uso da glória pessoal para disfarçar os nossos problemas pessoais. É um clássico da era moderna e devia ter ganho o Óscar de Melhor Filme em vez do bom mas limitado “The King’s Speech”.

 

4 – My Left Foot (1989): Grandes interpretações são um tema recorrente na maioria dos filmes que retratam uma vida real e esta belíssima obra de Jim Sheridan é tudo menos uma exceção. Daniel Day-Lewis dá uma performance de antologia como Christy Brown, um pintor e escritor irlandês que nasceu com paralisia cerebral e teve de aprender a exprimir-se com o único membro que conseguia controlar: o seu pé esquerdo.

 

3 – Raging Bull (1980): O clássico de Martin Scorcese volta a marcar presença nestas listas, depois de ter encabeçado a lista dos melhores filmes de desporto. Na verdade, esta até é uma lista mais adequada para este retrato duro mas justo da vida de Jake LaMotta que, mais ainda que com os seus adversários no ringue de boxe, teve de lutar com uma miríade de problemas emocionais que descarrilaram a sua vida.

 

2 – Mar Adentro (2004): Esta obra-prima de Alejandro Amenábar acompanha a luta de Ramon Sampedro, um homem galego que ficou tetraplégico e se tornou um ícone na luta pela legalização da eutanásia, depois de 30 anos a lutar pelo direito a terminar a sua própria vida. Javier Bardem é genial como de costume, num filme que ganhou o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro e, ainda assim, merecia mais reconhecimento.

 

1 – Schindler’s List (1993): Que mais há a dizer sobre este filme para além de “brilhante”? Um dos mais inspirados filmes na já de si recheada carreira de Steven Spielberg, “Schindler’s List” mostrou ao mundo os talentos de Liam Neeson e Ralph Fiennes, lembrou ao mundo os horrores do Holocausto e fez o mundo chorar com a inexorável tristeza do tormento do povo judaico durante a Segunda Guerra Mundial.

 

Pedro Quedas

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Sorria!: Top 5 – Nomeados para Melhor Filme mais “felizes”

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Na sequência de se ter assinalado ontem, pela primeira vez, o Dia Mundial da Felicidade, achei por bem fazer uma pequena revista aos filmes (dentro dos que foram nomeados para Melhor Filme) que mais aqueceram o coração dos que os viram ao longo da História do Cinema. Num mundo cada vez mais dominado pela predominância do sarcasmo, aqui ficam alguns filmes sem medo de abrir a sua alma:

 

5 – Little Miss Sunshine (2006): Ao longo de grande parte da sua duração, este não é um filme muito feliz. Na verdade, apesar de se tratar de uma comédia (e uma que nos faz rir abertamente com frequência), o filme de Jonathan Dayton e Valerie Faris é pontuado com sequências muito deprimentes. Mas tudo isso é eliminado no fim, quando a família chega ao concurso de beleza. Como não ficar com o coração cheio e um sorriso no rosto quando somos presenteados com a brilhante cena da dança da pequena Olive?

 

4 – Forrest Gump (1994): Uma ode à História dos EUA pontuada com doses generosas de melancolia, ingenuidade e muita, muita felicidade. Robert Zemeckis e Tom Hanks unem os seus enormes talentos para nos trazer a história de um homem com um atraso mental que, por meio apenas da sua inquebrável força de vontade, acaba por ter impacto numa dose considerável de eventos que marcaram a América (e não só). A nossa geração cínica precisa de mais filmes de coração tão aberto.

 

3 – Guess Who’s Coming to Dinner (1967): Este filme de Stanley Kramer segue a história de uma mulher branca que apresenta aos seus pais o seu noivo negro (interpretado por Sidney Poitier). A recepção de ambos (principalmente o pai, o último papel de Spencer Tracy) é gelada ao início, mas no fim o poder do amor derrete todas as resistências e preconceitos iniciais. Uma mensagem positiva mas polémica, dado que na altura em que o filme foi filmado, o casamento interracial não era permitido em todos os estados norte-americanos.

 

2 – The Sound of Music (1965): Francamente, quase parece estranho não colocar este filme no topo da lista. Haverá uma maior colecção de músicas doces e triunfantes sobre o poder da música? Haverá um outro musical tão incessantemente preocupado com o nosso bem-estar emocional, mesmo perante a presença nas sombras da iminente ocupação nazi? Seria quase expectável que nos tornássemos críticos de um filme tão açucarado, mas o sorriso de Julie Andrews imediatamente nos faz esquecer de que tínhamos sequer uma crítica a fazer.

 

1 – E.T. the Extra-Terrestrial (1982): O que mais se pode dizer sobre este filme que não já sido dito? Só nos resta cair na repetição e elogiar uma obra que é magia do cinema em estado concentrado. Um filme que, mais do que simplesmente mexer nos cordelinhos do nosso coração, retorce e revira as nossas emoções com uma facilidade sem precedentes, levando-nos dos momentos mais tristes da História do Cinema aos mais triunfantes e mágicos no espaço de minutos. O toque de Midas de Steven Spielberg poucas vezes esteve mais dourado.

 

Pedro Quedas

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A glória sem o prémio: Top 5 – Génios que nunca ganharam o Óscar de Melhor Realizador

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Mais tarde ou mais cedo, a Academia tende a premiar os seus melhores realizadores com o seu primeiro Óscar. Por vezes fazem-no na altura certa (Billy Wilder, “The Lost Weekend), por vezes demoram demasiado tempo mas escolhem o filme certo (Steven Spielberg, “Schindler’s List”) e outras vezes simplesmente escolhem um qualquer para que a falha não persista por muito mais tempo (Martin Scorcese, “The Departed”).

Muitas vezes, no entanto, a Academia acaba por nunca chegar a dar o devido crédito a alguns dos mais transcendentes talentos entre os seus membros. Hoje o “Na Rota dos Óscares” procura dar o devido (ainda que tardio) destaque a alguns dos mais flagrantes exemplos deste muito repetido erro.

É de apontar que as nomeações apontadas a seguir a cada um destes realizadores referem-se apenas às na categoria de Melhor Realizador, sendo que alguns destes nomeados acumularam nomeações noutras categorias. Para efeitos desta lista, não se contabilizam também os prémios de carreira.

E agora, sem mais demoras, segue a seguinte lista de genialidade sem o devido reconhecimento:

 

5 – Sidney Lumet (4 Nomeações): Muitas vezes, e injustamente, esquecido quando se tem qualquer discussão sobre os melhores realizadores da História do Cinema, Sidney Lumet foi nomeado por obras-primas como “Network”, “Dog Day Afternoon” ou “12 Angry Men” mas saiu sempre derrotado. Um contador de histórias quase sem rival, Lumet é especialmente reconhecido pela sua brilhante capacidade de retirar performances históricas dos seus actores.

 

4 – Akira Kurosawa (1 Nomeação): Com um rol tão impressionante de filmes clássicos no seu reportório, custa a crer que o lendário realizador japonês só tenha conseguido uma nomeação para Melhor Realizador em toda a sua carreira. Sim, é verdade que dois dos seus filmes (“Rashomon” e “Dersu Uzala”) conquistaram o prémio de Melhor Filme Estrangeiro, mas custa a aceitar que a Academia não lhe tenha dado um Óscar como realizador. E não, o prémio de carreira não chega para emendar o erro.

 

3 – Alfred Hitchcock (5 Nomeações): “A sério, como é que isto é possível?”, perguntam vocês. E com muita razão, diga-se. A resposta é simples: embora hoje o seu génio seja reconhecido, no seu tempo o icónico realizador era visto acima de tudo como um ‘entertainer’, um realizador mais preocupado em manipular as emoções do seu público que em fazer “arte”. Eventualmente o tempo trouxe o devido crédito ao responsável por clássicos intemporais como “Psycho”, “Vertigo” ou “Rear Window”.

 

2 – Stanley Kubrick (4 Nomeações): Devido à sua obsessão em controlar todos os detalhes de cada um dos seus filmes, Kubrick é o cineasta desta lista com o maior número de nomeações, acumulando créditos de produtor e argumentista em filmes tão marcantes como “A Clockwork Orange” ou “Dr. Strangelove”. Ainda assim, é um pouco absurdo que a sua única vitória num total de 13 nomeações tenha sido pelos efeitos visuais de “2001: A Space Odissey”.

 

1 – Orson Welles (1 Nomeação): Sim, é verdade que o cardápio de longas-metragens de Welles é mais reduzido que a maioria dos outros nesta lista. Sim, é verdade que conquistou um Óscar de relevo, como argumentista por “Citizen Kane”, em 1941. Mas a verdade é que continua a ser o maior escândalo da História do Cinema o facto de não ter saído dessa cerimónia com os outros dois Óscares que lhe eram devidos: Melhor Actor e, acima de tudo, Melhor Realizador. Ah, e talvez ter dado o Óscar de Melhor Filme ao melhor filme de sempre talvez não tivesse sido má ideia também.

 

Pedro Quedas

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Na sombra da Pixar: Top 5 – Filmes nomeados para Melhor Animação

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Durante muito tempo, os desenhos animados eram vistos acima de tudo como ‘cartoons’. Geniais que muitos destes eram, não passavam de pequenas brincadeiras com o intuito de fazer rir. Depois chegou Walt Disney, que revolucionou o mundo da animação e, com clássicos como “Snow White and the Seven Dwarfs” ou “Fantasia”, mostrou que esta era um género com muito mais potencial a mostrar.

Mas este período de êxito não durou para sempre e, motivada pelo excessivo custo e diminuto retorno dos seus filmes, a Disney passou a fazer filmes com orçamentos mais reduzidos e isso reflectiu-se na qualidade do seu produto. Foi preciso esperar pela segunda “era dourada” da empresa para que os filmes de animação voltassem à ribalta. E como eles voltaram! Mega-êxitos como “The Little Mermaid” ou “Aladdin” marcaram o “Renascimento da Disney”, que atingiu o seu pico com a nomeação de “Beauty and the Beast” para o Óscar de Melhor Filme.

Os filmes de animação eram agora não só um meio artístico cheio de possibilidades criativas mas também uma máquina de fazer dinheiro. Isto levou à proliferação de filmes por parte de outros estúdios, especialmente quando o aparecimento do clássico “Toy Story”, da recém-criada Pixar, apresentou a Hollywood o “admirável mundo novo” da animação digital.

Hoje em dia, os filmes de animação já não são apenas pequenos oásis isolados destinados a crianças, mas antes uma forma de arte tão ou mais premente que qualquer outra no mundo do cinema. De tal modo que foi criado, em 2001, o Óscar de Melhor Filme de Animação. Este Top 5 homenageia os melhores entre os filmes que já foram nomeados nesta honrosa categoria:

 

5 – Toy Story 3 (2010): Que melhor maneira de começar esta lista que pelo fim? Ou antes, pelo brilhante capítulo final de uma saga que marcou não só a animação digital mas também a nossa (não tão suave) transição de crianças sonhadoras para adultos nostálgicos. Com Andy prestes a fazer 18 anos, Woody e Buzz têm de lidar com a dura realidade de que a vida de um brinquedo pode ser os seus dias contados. Com um misto genial de comédia inspirado, visuais inovadores e a mais dura melancolia, “Toy Story 3” não só conquistou os Óscares de Melhor Filme de Animação e Melhor Canção Original mas também foi nomeado para Melhor Montagem de Som, Melhor Argumento Adaptado e até Melhor Filme.

 

4 – Spirited Away (2002): Hayao Miyazaki tem um longo historial de genialidade ao longo da sua carreira como animador, mas talvez o seu maior triunfo tenha sido este “Spirited Away”. Vencedor do Óscar de Melhor Filme de Animação, esta pequena pérola da mais surreal invenção visual acompanha as aventuras de Chihiro, uma jovem rapariga de dez anos que se vê arrastada para uma realidade paralela quando muda de casa. Depois de ver os seus pais transformados em porcos pela maquiavélica bruxa Yubaba, Chihiro arranca numa épica aventura para os tentar salvar. Parece surreal? Sim, é. Muito. Mas, como é apanágio do aclamado realizador japonês, por baixo de toda a loucura temática e visual, esconde-se um enorme e pulsante coração.

 

3 – Les Triplettes de Belleville (2003): Mantenhamo-nos num registo surreal neste quase inexplicável “Les Triplettes de Belleville”, a história de Madame Souza, uma velhota portuguesa (sim, isso mesmo – até ouvimos regularmente “Uma Casa Portuguesa” a tocar) a viver em França, cujo filho, ciclista da Tour de France, é raptado pela máfia francesa. Na sua demanda para o salvar, a infatigável mãe é acompanhada pelas “Triplettes de Belleville”, um trio de cantoras de ‘music hall’ dos anos 30 e o seu obeso cão Bruno. Perceberam? Pois, eu compreendo que não. Mas se forem além do potencial preconceito à partida, vão encontrar um filme de uma subtileza sublime, um visual negro e imersivo e uma história que é quase toda contada sem diálogos, recorrendo apenas aos gestos das personagens e canções absolutamente inesquecíveis como “Belleville Rendez-Vous”, uma das maiores pérolas escondidas da música contemporânea.

 

2 – Up (2009): Foi o segundo filme de animação a ser nomeado para Melhor Filme (depois de “Beauty and the Beast”) e mereceu essa distinção. Inserido numa sequência especialmente brilhante da Pixar, “Up” é tão intenso e comovente que muitos adultos têm dificuldade sequer em aguentar os primeiros 15 minutos do filme sem ficarem emocionalmente destroçados. Depois de percebermos a razão para a constante resmunguice de Carl, torna-se impossível não ficarmos totalmente do seu lado quando o septuagenário se lança numa aventura às florestas da América do Sul, içando a sua própria casa com um sem número de balões coloridos. O que se pode dizer mais de um filme que reuniu o consenso da crítica como um dos melhores filmes do seu ano, independentemente do facto de ser animação? Embalado pela brilhante banda sonora de Michael Giacchino (também ela vencedora de um Óscar), “Up” foi uma das melhores experiências cinematográficas da última década, só superada por…

 

1 – Wall-E (2008): Será possível que a melhor história de amor do século XXI se passe num filme de animação? Entre dois robots, abandonados nos vestígios poeirentos de uma terra pós-apocalíptica? É essa a magia de “Wall-E”, o mais elevado triunfo da Pixar, uma empresa que tem o condão de quase nunca dar um passo em falso. Tematicamente, “Wall-E” aborda temas invulgarmente complexos para um filme (supostamente) para crianças, tais como o inevitável colapso ecológico do planeta ou como deixar todo o trabalho para as máquinas nos pode tornar irremediavelmente preguiçosos e incapazes de lutar pela nossa própria vida. Como obra de ficção científica, é um filme inesperadamente profundo. Mas como história de amor? Simplesmente mágico. Ver este romance a crescer quase sem diálogos e com uma dose tão generosa de coração foi um dos momentos mais altos do cinema do século XXI. O facto de ter acontecido num filme de animação só mostra a importância desta arte no cinema passado, presente e futuro.

 

Pedro Quedas

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Escolhas impossíveis: Top 5 – Protagonistas oscarizados

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A Academia não acerta sempre. Todos os anos cada um de nós cria uma longa lista dos erros cometidos nos Óscares, de todas as pessoas que mereciam ter ganho e foram injustiçadas. Esta lista que se segue procura ilustrar algumas das melhores decisões da História dos prémios. Especificamente, vamos olhar para o historial dos vencedores nas categorias de Melhor Actor Principal e Melhor Actriz Principal e tentar destacar os melhores entre os melhores. Uma decisão tão difícil que só ilustra como nem sempre estas escolhas podem ter apenas uma resposta certa. Assim, antes que os escolhidos sejam de novo repensados e substituídos por outros igualmente merecedores, aqui segue a lista dos melhores protagonistas oscarizados de sempre:

 

5 – Daniel Day-Lewis, My Left Foot (1989): Este foi o filme que catapultou Daniel Day-Lewis para o topo da hierarquia de Hollywood, com a sua performance na história da vida real de Christy Brown, um homem irlandês que, fruto de ter nascido com paralisia cerebral, só conseguia controlar o seu pé esquerdo. Brown veio tornar-se um conceituado escritor e artista. A interpretação de Day-Lewis foi notória também por revelar ao mundo a sua obsessão com o “método”. Especificamente, o actor, querendo experienciar totalmente a vida de um homem paralisado, recusou-se a andar normalmente mesmo entre ‘takes’ e obrigou os restantes membros da equipa de filmagens a carregá-lo de um lado para o outro.

 

4 – Elizabeth Taylor, Who’s Afraid of Virginia Woolf? (1966): Não menos corajosa foi a interpretação de Elizabeth Taylor como Martha na adaptação ao cinema da peça clássica de Edward Albee. Considerada na altura uma das mais belas mulheres no mundo, Taylor engordou para o seu papel como uma dona de casa amargurada e gasta pela vida, presa num casamento infeliz e cheio de segredos por partilhar e mentiras repetidas. A escolha da célebre actriz norte-americana foi considerada arrojada também para a altura, dado tratar-se de uma peça que lidava com temas controversos e utilizava linguagem pouco vista ainda no cinema, pelo menos nos anos 60.

 

3 – Robert De Niro, Raging Bull (1980): Se as exigências físicas do papel de Elizabeth Taylor foram notáveis, o que dizer então de Robert De Niro? No seu papel como Jake LaMotta, o conceituado actor norte-americano engordou 27 quilos para retratar o declínio final da carreira e vida do boxeur ítalo-americano. A performance de De Niro é cativante não apenas pela transformação física, mas também (e acima de tudo) pelo modo como consegue transmitir, com uma subtileza que parece brilhar por entre os seus berros de raiva e momentos de descontrolada violência, a dor e neurose sadomasoquista que sempre atormentou o lutador e o levou, ultimamente, a destruir a sua vida familiar.

 

2 – Dustin Hoffman, Rain Man (1988): Uma das características comuns a quase todas as grandes performances ao longo da história do Cinema é uma preparação quase obsessiva. Um dos actores que melhor compreende a importância deste trabalho prévio é Dustin Hoffman, que visitou vários autistas e suas famílias na preparação para o seu premiado papel como Raymond Babbitt em “Rain Man”. O seu trabalho tornou-se de tal modo icónico que teve um infeliz efeito secundário: dada a popularidade e precisão da sua interpretação, o filme criou a percepção de que todos os autistas são ‘savants’. Apesar disso, ainda hoje a sua performance é elogiada por muitos como uma quase perfeita caracterização do autismo.

 

1 – Meryl Streep, Sophie’s Choice (1982): A decisão que a personagem de Meryl Streep toma neste devastador filme tornou-se o sinónimo das escolhas impossíveis, de como por vezes não temos opções boas ao nosso dispor. Na sua performance como Sophie Zawistowski, uma mulher polaca que sobreviveu ao campo de concentração nazi em Auschwitz, Streep ilustra como a “sobrevivência” é um termo relativo. Tanto interna como exteriormente, a brilhante actriz, aqui ainda muito no início de uma gloriosa carreira, expõe de forma crua as profundas feridas emocionais que tem de carregar. O seu trabalho a dominar o dialecto é perfeito, a sua presença em câmara é magnética, mas o triunfo de Meryl Streep em “Sophie’s Choice” é como nos segura o coração nas mãos. Quando o talento atinge estes níveis, o espectador não tem outra escolha que não deixar.

 

Pedro Quedas

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A injustiça da abundância: Top 5 – Anos mais fortes de Hollywood

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É raro o ano em que não encontramos pelo menos um ou dois filmes que nos marcam de forma especial. Mas acontece haver cerimónias em que nenhum dos nomeados pode ser considerado um clássico intemporal e simplesmente se tem de escolher um. Por outro lado, temos outros anos em que o talento se parece ter acumulado e contribuído para algumas das mais difíceis decisões da Academia. Anos que deixaram filmes de topo no limbo esquecido dos “outros nomeados”. Numa retrospectiva dos nomeados na categoria de Melhor Filme, aqui ficam os cinco anos mais fortes da História dos Óscares:

 

5 – 1989: Este foi um ano de histórias e personagens inspiradoras. Desde o veterano de guerra Ron Kovic de “Born on the Fourth of July”, de Oliver Stone, a Christy Brown em “My Left Foot” (Jim Sheridan), o escritor e pintor irlandês que, fruto de ter nascido com paralisia cerebral, só conseguia escrever e pintar com o seu pé esquerdo, passando pelo professor que todos queríamos ter, John Keating, em “Dead Poets Society” (Peter Weir), 1989 apresentou-nos um extenso rol de filmes e interpretações memoráveis. E depois ganhou “Driving Miss Daisy”. Ok.

 

4 – 1993: Não havia a mais pequena dúvida para quem iria o Óscar neste ano. “Schindler’s List”, de Steven Spielberg, foi o justíssimo vencedor de sete Óscares e foi sempre o grande favorito. Isto poderá dizer bastante sobre a grandeza do filme, considerando que teve concorrência tão forte como “In The Name of the Father”, de Jim Sheridan, “The Piano”, de Jane Campion, e “The Remains of the Day”, de James Ivory. Um ano de excelentes filmes que, infelizmente, escolheram o ano “errado” para sair.

 

3 – 1994: Dois excelentes anos de seguida. Já por aqui falámos de como o facto de “Forrest Gump” ser um belíssimo filme não significa que merecesse ganhar e de como talvez Frank Darabont (“The Shawshank Redemption”) ou, acima de tudo, Quentin Tarantino (“Pulp Fiction”) o mereciam mais. O que ficou por dizer é que os outros dois nomeados para Melhor Filme foram o injustamente esquecido “Quiz Show” e uma das melhores comédias românticas de sempre, “Four Weddings and a Funeral”. Que ano.

 

2 – 1974: “The Godfather Part II”, de Francis Ford Coppola, é a melhor sequela de sempre. Muitos há que o consideram até melhor que o primeiro. É, sem grande polémica, pura e simplesmente um dos melhores filmes da História do Cinema. Seria de esperar, portanto, que este Óscar de Melhor Filme tivesse sido uma das decisões mais fáceis da Academia. Nem por isso, dado que este foi o ano em Roman Polanski lançou a sua obra-prima, o clássico ‘noir’ “Chinatown”. A concorrência foi ainda mais apertada com a competição por parte do fenomenal “The Conversation”, curiosamente também de Francis Ford Coppola.

 

1 – 1939: Em plena “era dourada” de Hollywood, 1939 foi o provavelmente o ano mais “gordo” e opulento de todos. Este foi o ano que nos deu a inspiração melodramática de Frank Capra, com “Mr. Smith Goes To Washingtown”. Foi o ano em que John Ford estabeleceu o padrão ao qual todos os ‘westerns’ se comparam, com “Stagecoach”. Foi o ano em que a magia do cinema a cores brilhou com nunca antes, em “The Wizard of Oz”. Foi também o ano em que o épico “Gone With The Wind” ganhou o Óscar de Melhor Filme. Qualquer um destes podia ter ganho. Num ano com esta qualidade, com uma escolha tão impossivelmente difícil, “frankly, my dear, I don’t give a damn”…

 

Pedro Quedas

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